segunda-feira, 21 de maio de 2012

O primeiro QI da história do Brasil


No primeiro documento da história do país já se vê o pedido de nomeação de um parente, o famoso Quem Indica. A célebre carta do escrivão Pero Vaz de Caminha, na qual ele se rasga de elogios as belezas naturais da nova terra, teria, na verdade, a intenção de pedir ao rei um emprego a seu genro.

Conforme revela o antropólogo Roberto DaMatta, os elogios do escrivão tinham o intuito  de preparar taticamente o espirito do rei, predispondo sua boa-vontade. Para o autor, o pedido daria início a um processo de males sociais nacionais, como o clientelismo, o nepotismo e o corporativismo.

Confira, abaixo, o trecho da carta do escrivão.

" E nessa maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer mo fez por assim pelo miúdo. (...) Vossa alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da Ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro - o que dela receberei em muita mercê.

Pero Vaz  de Caminha, 
em 1 de maio de  1500

domingo, 20 de maio de 2012

Tribalista uma velha saudade

Surgido dos sonhos de três grandes músicos brasileiros, o grupo Musical Tribalistas marcou presença no cenário musical brasileiro, em 2002, com sucessos como Velha Infância, Já sei namorar e É você.



Não foi com data e hora marcada que o  fenômeno Tribalistas surgiu. Fora de um projeto musical, o grupo foi criado a partir das aspirações de três grandes músicos brasileiros: Marisa Montes, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Do trio nasceu um único álbum que estourou no país com mais de 1,5 milhões de discos vendidos no Brasil e 700 mil no exterior, ao ser lançado no ano seguinte, do lançamento no país, em 2003.
O sucesso de vendas e de críticas levou a cinco indicações ao Grammy Latino,  sendo ganhador em um delas como melhor álbum pop brasileiro. Além de ser vencedor em outras premiações, como o Troféu imprensa por melhor álbum, música, canção brasileira entre outros.

A ideia do grupo surgiu quando Marisa Montes foi fazer uma participação no álbum que seria lançado por Arnaldo Antunes, produzido por Carlinhos Brown. O trio ficou junto por quase uma semana na produção do álbum de Arnaldo. Entre uma gravação e outra do disco, o trio, sem pretensões de um projeto futuro, divertia-se criando novas canções. Ao deixarem a Bahia, local que o álbum de Arnaldo estava sendo produzido, os três perceberam que o material extra feito poderia ser gravado pelos três juntos. Após muitas reuniões. se deveriam ou não fazer do divertimento um projeto, os três músicos decidiram lançar o álbum Tribalistas.

O nome, que intitulou o cd e o grupo, veio da ideia de unir os três (tri) em uma mesmo tribo. Daí Tribalistas. Mas apesar de ter surgido da uma ideia conjunta, o grupo musical não tinha pretensões de estender a parceria. Nunca houve uma turnê de divulgação do disco e raríssima foram as apresentações do grupo. Sendo uma na apresentação do Grammy,  outra no Sarau do Brown, no qual foram vaiados por cantar somente duas canções do disco, e ainda uma última participação na gravação do DVD em estúdio.

Para aqueles que sentem saudades das canções de letras fáceis, sinceras e dos arranjos simples, vale a compra do disco que ainda é vendido ou a lembrança das músicas nas novelas que são constantemente reprisadas na sessão da tarde.

Confira alguns sucessos do trio que embalaram as novelas.







quinta-feira, 17 de maio de 2012

Aral, o mar que agoniza

Nesta semana, o jornal O Globo publicou uma reportagem intitulada " A Guerra da água no teto do mundo". O texto do jornalista Cesar Baima prenuncia um possível conflito na superpovoada Ásia, por conta de interesses imperialistas da China de mudar o curso de 5 dos maiores rios , todos com nascentes no Planalto do Tibete. O plano da super potência engloba a construção de dezenas de represas que possibilitem a irrigação das grandes plantações chinesas em prejuízo ao vizinhos, que podem acabar morrendo de sede e consequentemente de fome.

Não é a primeira vez na história que interesses imperialistas, coadunados com a ausência de um tratado internacional, colocam o mundo sob a ameaça de um conflito, ao mesmo tempo que põe em risco o precioso recurso natural. Na década de 60, considerado, até então, o quarto maior mar interno do mundo, o Mar de Aral sucumbiu diante das alterações de cursos dos rios feitas pela União Soviética para o projeto de plantio de algodão. Hoje, constitui-se menos de dois terços do que já foi.

Situado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, em 1960, o Mar de Aral ocupava uma área equivalente ao estado do Rio de Janeiro acrescido do estado de Alagoas, algo equivalente a 68.300 Km2. Era visto como um verdadeiro Oásis no meio do deserto, porque antes de ser chamado de mar, Aral era um lago que abrigava 178 espécies de animais. 

O começo da agonia

A diminuição progressiva do mar de Aral
A diminuição progressiva do mar de Aral

O fim do mar de Aral deu-se no começo da década de 1930, quando os governantes soviéticos decidiram transformar a área em uma produtora de algodão, com aplicação extensa de agrotóxico e substâncias para desfolhar as plantas. 


O uso desenfreado de insumos agrícolas promoveu um elevado volume de mortalidade infantil proveniente de doenças que foram passadas de forma hereditária, sem contar a perda de vidas selvagens, como peixes e outros inúmeros animais que habitavam as margens. 


Além disso, com a erosão e a retirada exagerada de água, o Aral passou a receber anualmente 60 milhões de toneladas de sal carregadas pelos rios, matando peixes e, por conseqüência, a indústria pesqueira que um dia existiu na região e sustentou a economia local. O sal e os pesticidas agrícolas se infiltraram no solo  contaminando os lençóis freáticos, o que acabou tornando impossível a lavoura nas mediações.

Diante do deserto que hoje abriga embarcações, que um dia navegaram pela região, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse  que o ressecamento do mar de Aral é um dos desastres ambientais mais chocantes do mundo. Se atitudes conscientes em escala mundial não forem tomadas, o cenário de horror, promovido por interesses de uns, alcançará a todos sem distinção.

Camelos caminham diante de embarcação encalhada nas areias do deserto



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Menina de 5 anos torna-se a mãe mais nova do mundo


No dia 14 de maio de 1939, a menina peruana, Lina Medina, de apenas cinco anos de idade deu à luz um menino, fato que a tornou a mãe mais nova do mundo. Nascida em Ticrapo, no Peru, filha de Tiburelo Medina e sua esposa Victoria Losea, Lina era considerada uma menina normal. Contudo, seus pais começaram a ficar preocupados com um tumor que a menina supostamente estava desenvolvendo. Aparentemente preocupado com a filha, Tiburelo deixou a pequena vila andina em que moravam e levou a menina para um hospital na cidade de Pisco. 

O pai falou ao médico, o Dr. Gerardo Lozada, que os curandeiros locais não tinham conseguido tratar o tumor que estaria se desenvolvendo no abdômen da menina. O médico examinou a garota e descobriu que o que se pensava ser um tumor, era, na realidade, um feto. A menina estava já no sétimo mês de gestação.

 Especialistas de um hospital de Lima confirmaram a gravidez. O pai de Lina foi preso pela suspeita de incesto, mas liberado em seguida pela falta de provas. Os médicos descobriram que a garota teve uma puberdade precoce, condição que a levou a esta fase muito mais cedo do que o normal. Sob os cuidados médicos, ela foi submetida a uma cesariana e deu à luz a um menino no dia 14 de maio de 1939. 

O bebê nasceu saudável, com 2,7 quilos, e foi chamado de Gerardo, em homenagem ao médico que descobriu sua gravidez. O menino foi criado como irmão mais novo de Lina para que mais tarde a verdade fosse relevada a ele. A jovem mãe nunca disse ao seu filho quem era o seu pai, pois talvez nem ela mesma tivesse condições de saber. Mais tarde, ela se casou com Raul Jurado, pai do seu segundo filho, nascido em 1972. Gerardo morreu aos 40 anos por conta de uma infecção na médula. Até onde se sabe, Lina segue com o seu marido no Peru e o    seu filho vive no México.          


Por The History Channel


domingo, 13 de maio de 2012

O Dia das Mães



Dignas de todo carinho, atenção e respeito, as mães dão sentido às nossas existências. Difícil quem não quer ser o queridinho da mamãe, com todos os paparicos e dengos. O segundo domingo de maio celebra a data da primeira pessoa que conhecemos no mundo. O lugar de Memória foi atrás da história da data que comemora a celebração do amor e da adoração às mães. Abaixo, clipe com texto de Danuza Leão sobre esse incompreensível e mágico dom de ser mãe.


Anna Jarvis é a mais reconhecida como idealizadora do Dia das Mães na sua forma atual.  Filha de Ann Maria Reeves Jarvis, a americana decidiu, dois anos após o falecimento da mãe, em 12 de maio de 1907, criar um memorial em homenagem a matriarca. Logo depois, iniciou um campanha para que o Dia das Mães fosse um feriado reconhecido. Ela obteve sucesso ao torná-lo reconhecido nos Estados Unidos em 8 de maio de 1914 quando a resolução Joint Resolution Designating the Second Sunday in May as Mother's Day foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos instalando o segundo domingo do mês de maio como Dia das Mães. No âmbito desta resolução, o Presidente dos Estados Unidos Thomas Woodrow Wilson proclamou, no dia seguinte, que no Dia das Mães os edifícios públicos deviam ser decoradas com bandeiras. Assim, o Dia das Mães foi celebrado pela primeira vez em 9 de maio de 1914.
Com a crescente difusão e comercialização do Dia das Mães, Anna Jarvis afastou-se do movimento, lamentou a criação da data e lutou para a abolição do feriado.
No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros CâmaraCardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.

Curiosidade:
No Brasil e nos Estados Unidos, o Dia das Mães é considerada pelos varejistas a segunda melhor data para o comércio, perdendo apenas para o Natal. A  Federação Nacional de Varejo Americana, National Retail Federation, estimulou para 2012 que os gastos referentes ao Dia das Mães devem ultrapassar $18.6 bilhões ($152 por pessoa) no país norte-americano.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Nos embalos do Kuduro

Conheça a história do estilo musical que se tornou hit no Brasil e no mundo.



Não há uma definição exata para a palavra que denomina o gênero musical surgido na Angola. No geral, é entendida no seu sentido literal, de quadril  duro. Mesmo com controvérsias, na maior parte dos estudos, o nome seria proveniente de um dialeto do nordeste do país africano, o Kimbundo.
Apesar de inicialmente ser ensinada como uma dança em que as pessoas ao dançar ficassem com o quadril sem mexer, de forma engraçada e diferente, não há dúvidas de que a dança é bem sensual, conforme pode-se ver no início da novela Av.Brasil, da TV Globo, responsável em grande medida pelo grande divulgaçào do hit angolano.

Proveniente dos subúrbios da província de Malange, na Angola, no começo dos anos 90, o gênero musical, atualmente é um dos ritmos preferidos de DJs europeus, principalmente em Portugal. O blog Raízes e Antenas faz uma perspectiva história do estilo pra lá de irreverente.

A paz em Angola - depois de décadas de guerra (primeiro a guerra contra as tropas portuguesas, depois uma guerra fratricida igualmente sangrenta) - proporcionou o desenvolvimento de variadíssimas e riquíssimas formas musicais e a sua divulgação interna e externa. Não que muita música não se fizesse e gravasse antes - vejam-se as gravações contidas na caixa «Angola», já referida há alguns meses neste blog, ou na recente compilação «Os Reis do Semba», todas feitas durante os anos finais de dominação portuguesa - ou as inúmeras gravações de artistas de kizomba editadas ainda durante a guerra civil. Mas, nos últimos anos, outros géneros foram nascendo e crescendo com uma força imparável: a versão muito própria e angolana do hip-hop e também o kuduro e a tarrachinha.

A divulgação do Kuduro para o mundo teria sido feita de forma inusitada em um filme de ação. Nada menos que o belga Jean-Claude Van Damme seria um dos precursores na exibição da dança (ver vídeo). É isso mesmo que você, caro leitor, acabou de ler, o grande astro de filmes de ação teria já dado a sua requebradinha, ou melhor, nada de requebradinha, afinal estamos falando de Kuduro no filme "Kickboxer - O Desafio do Dragão" de 1989.


Depois de ganhar o mundo, o Kuduro chega ao Brasil. Atualmente, em todas as paradas de sucesso com "Vem dançar Kuduro" do cantor português Lucenzo. A versão da música, que é abertura da novela das 9, é mais light com o nome "Vem dançar com tudo". A justificativa do diretor Ricardo Waddington para a mudança seria o constrangimento que causaria ao ser cantada e repetida no horário nobre. Não deixa de fazer sentido.

O Kuduro de Van Damme



O  site da revista Superinteressante fez uma reportagem com 5 vídeos estranhos que ensinam a dançar Kuduro. Vale a pena conferir, dentre eles, a dancinha de Jean-Claude Van Damme.

Superinteressante


1. Começando do começo: a clássica cena de Van Damme que serviu de inspiração para a criação do kuduro. Vale ressaltar que a música de fundo não é original do filme, é claro. Ela faz parte da trilha sonora de "Street Fighter", série de jogos cuja adaptação para o cinema foi estrelada pelo ator. No filme, depois de embriagado por seu mestre, o personagem é desafiado a dançar e consegue fazer estes movimentos:


2. Em Portugal o gênero ganhou uma de suas maiores mudanças ao encontrar o peso dos elementos eletrônicos da banda Buraka Som Sistema. Muitos movimentos da dança estão representados neste clipe, que conta com participação de artistas que bebem na fonte do kuduro: M.I.A., DJ Znobia, Saborosa and Puto Prata.


3. Um dos lugares de consolidação da dança foram as ruas de Angola. Neste vídeo, jovens mostram seus melhores passos no que parece um desafio em que ganha o dono do melhor gingado.

4. O programa angolano de TV "Sempre a Subir" ensina alguns passos:

5. Um dos temas das letras do kuduro é a realidade dos angolanos. Esta música fala sobre as favelas angolanas, chamadas musseques. O vídeo mostra mais passos de dança e imagens que mostram a popularidade do kuduro no país: