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terça-feira, 29 de maio de 2012

Bob Dylan recebe Medalha da Liberdade de Obama

Nesta terça-feira, o cantor Bob Dylan, de 70 anos, recebeu a Medalha da Liberdade pelas mãos do presidente Barack Obama na Casa Branca. A medalha é a maior honraria dada a um civil nos Estados Unidos. 

Considerado ícone do rock, com a premiação, Dylan também é oficialmente reconhecido com um indivíduo americano imprescindível aos interesses nacionais. De acordo com a Casa Branca, o cantor foi escolhido devido a sua ligação ao movimento da Canção de Protesto da década de 60. Dylan, assim como Donovan e Joan Baez, foi um dos artistas que fez da música uma arma de protesto contra a Guerra do Vietnã, o preconceito racial e as desigualdades civis que marcavam a história do país norte-americano nos anos 60.

Com o objetivo de resgatar as histórias do singular cantor, o Lugar de Memória foi atrás das curiosidades desse artista militante. Abaixo, as canções que reservaram a Dylan um lugar permanente na história da música.

                                                                                                      (Foto: AP/Carolyn Kaster)


- Robert Zimmerman, como foi batizado, nasceu em 24 de maio de 1941, em Duluth, Minnesota. Surgiu na cena "folk" no começo da década de 1960, no Greenwich Village (bairro boêmio de Nova York), com canções que falavam de política e direitos civis.
- Suas canções mais conhecidas são "Like a Rolling Stone", "Blowin' in the Wind," "The Times They Are a-Changin" e "All Along the Watchtower".
- Dylan chocou alguns fãs por se "ficar elétrico" em 1965 e foi vaiado em 1966 durante um show na Grã-Bretanha. Mas três de seus discos daquela época, "Bringing It All Back Home", "Highway 61 Revisted" e "Blonde on Blonde", são considerados clássicos da história do rock.
- Em 1966, sofreu um acidente de moto e foi morar em Woodstock, Estado de Nova York. Passou vários anos sem ser visto em público e gravou "The Basement Tapes" ("fitas do porão") com sua banda, chamada The Band. Não se apresentou no festival de Woodstock, em 1969.
- "Knockin' on Heavens Door" foi escrita em 1973 para o filme "Garrett & Billy the Kid", de Sam Peckinpah, que o próprio Dylan estrelou ao lado de Kris Kristofferson e James Coburn. A canção já foi gravada por mais de cem artistas.
- Em 2000, recebeu o Oscar de melhor canção por "Things Have Changed", incluída na trilha de "Garotos Incríveis."
- Em 1997, tocou para João Paulo 2o durante a Conferência Eucarística Mundial, na Itália. O papa dormiu.
- "Bob libertava a mente da gente do mesmo jeito que Elvis libertava o corpo", disse Bruce Springsteen num discurso em que introduziu Dylan no Hall da Fama do Rock and Roll, em 1988.

(Reportagem de Angus MacSwan republicada no Jornal O Globo em 29 de fevereiro de 2008 )









terça-feira, 3 de abril de 2012

Eterno Orfeu

A história do ator que protagonizou o único filme brasileiro a ganhar um Oscar e que ganhou o coração da mãe do presidente dos Estados Unidos.



A história de vida de Breno Mello tomou um rumo diferente dos sonhos de menino aspirados na cidade de Porto Alegre. Ainda pequeno, seu principal hobby era correr atrás de uma bola de futebol.  Brincadeira que virou coisa série quando se tornou jogador profissional pelo clube Renner. Com o time de Porto Alegre conseguiu a proeza de ser campeão gaúcho de 54, rompendo a sequência de "Gre-Nais", tornando-se ídolo do anos 50. Após a vitória, foi contratado pelo time do Fluminense, época em que conheceu Pelé.

Foi na cidade carioca, em 1958, que Breno teve seus planos mudados.Um dia passeando na praia foi abordado pelo cineastas francês Marcel Camus, que procurava atores para a adaptação que fez da peça de Vinicius de Moraes "Orfeu da Conceição". A empolgação do diretor com Breno fez com que na época o ator/jogador suspeitasse das intenções do francês, conforme relatou em entrevista ao jornalista Luiz Nassin." Pensei que ele fosse gay", confessa Melo.

O diretor não era gay. E dias depois Breno seria selecionado para encarnar o Orfeu Negro de Camus. Apesar das intensas críticas no país, o filme fez grande sucesso no exterior. Sendo o único filme brasileiro a ganhar um Oscar: o de melhor filme estrangeiro. O longa também acabou faturando a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

O filme é curioso não somente pela história inspirada na clássico grego de Orfeu, mas também pela escalação do elenco. Além de Breno como esportista, a personagem Morte foi interpretada por Adhemar Ferreira de Lima primeiro atleta brasileiro a ser bicampeão nas Olimpíadas.

Com Orfeu Brenno ganha o mundo. Ao contracenar no longa com a atriz americana Marpessa Dawn será sempre lembrado como um Galã ou mesmo um Deus de Ébano. A beleza de Breno está associada a uma curiosa história envolvendo o atual presidente dos EUA, Barack Obama. Segundo relatos do próprio presidente, foi por causa do personagem de Breno que sua mãe, de aparência nórdica, teria se encantado por seu pai, que se assemelhava ao ator brasileiro.

Com sucesso de Orfeu fora do país, Breno continuo investindo em sua carreira como ator. Irá participar de filmes como Os Vencidos, Rata de Puerto, O Santo Módico, O Negrinho do Pastoreio e o último, em 88, Prisioneiro do Rio.

Após isso, afastou-se das telinhas sem ganhar o reconhecimento e respeito que gostaria no seu país. Em 2004, aceita participar de um documentário para TV À la recherche d'Orfeu Negro que destaca a importância do filme Orfeu Negro  para a divulgação da música brasileira no mundo, em especial para a bossa nova.

Breno irá falecer, em sua cidade natal  Porto Alegre, aos 78 anos, após um enfarte.