domingo, 8 de abril de 2012

Os segredos do chocolate dos Ovos de Páscoa

*Matéria publicada na Revista de História



Em nossa tradição, é impossível não associar o chocolate à Páscoa, festa maior do cristianismo. Desejar “Feliz Páscoa” a alguém é um costume que quase sempre vem acompanhado de um presente previsível: um ovo de chocolate – ou, simplesmente, um “ovo de Páscoa”. Mas a relação entre a iguaria e a religião que está na base da cultura ocidental nem sempre foi pacífica.

A guloseima, originalmente consumida por “pagãos” americanos e que caiu no gosto das altas rodas da Europa, era cercada de mistérios, como no caso dos chocolates aromáticos das cortes italianas, como revela Eddy Stols nesta edição. Os Médici, titulares do grão-ducado da Toscana, mantinham segredo absoluto sobre a receita do chocolate com aroma de jasmim, cobiçado por outras casas européias. Sua fórmula era guardada em uma caixa-forte. A Igreja, como se sabe, não via com bons olhos mistérios que não estavam sob sua guarda.

Mas o apreço pelo produto não era resultado apenas do aroma irresistível ou do paladar inigualável. Além de saboroso, o chocolate era apreciado por suas virtudes terapêuticas. Em meio a um verdadeiro frenesi, não tardaram a surgir, no século XVII, as primeiras denúncias de abuso na sua ingestão. E numa época profundamente marcada pela religião, o debate se dava na esfera da Igreja. De um lado, jesuítas cantavam as delícias do cacau; do outro, os dominicanos lamentavam o novo vício europeu.

A Europa, terra do vinho, era aos poucos invadida por legiões de beberrões de chocolate – inicialmente a Espanha, e posteriormente o resto do continente; nos cafés que se multiplicavam no rastro de outra bebida famosa, homens amanheciam em busca das primeiras doses do líquido turvo; nos palácios e nas casas mais refinadas, as xícaras passavam a figurar ao lado das taças, em lugar de destaque. Quente ou gelado, líquido ou pastoso, puro ou com aguardente, tomava-se chocolate de todas as maneiras, com o objetivo de estimular os sentidos de formas inusitadas.

Acreditava-se ainda que o chocolate possuía a propriedade de aquecer o sangue, despertando “virtudes” que eram sistematicamente combatidas pela Igreja. O italiano Francesco Arisi, autor de um tratado intitulado Il cioccolato, de 1736, versejava contra a iguaria:

Nos torrões já é usado,

Nas tortas é o principal.
Penso, pois, que ainda um dia,
Vão servi-lo com codornas,
Desdenhando o santo pão
Ou colocando-o de parte.  


Os próprios jesuítas, que elogiaram seu uso na Itália, chegaram a dizer em Portugal, onde o hábito de beber chocolate se alastrou no século XVIII, que o produto era um estimulante sexual. Contrariando a interpretação tradicional de S. Tomás de Aquino, para quem líquidos não quebravam o jejum, exigiram sua proibição durante o período da Quaresma, quando os cristãos deveriam se afastar dos prazeres da carne (em todos os sentidos). Tentativa inútil, pois o papa, em Roma, cedendo à pressão dos primeiros chocólatras, e para a felicidade de quase todos, autorizou o pecado durante o ano inteiro.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Alienígenas do passado

"Alienígenas do Passado exploram 75 milhões de anos de provas contundentes sobre a vida dos extraterrestres no planeta Terra - desde a era dos dinossauros ao Antigo Egito, até os céus azuis de hoje do oeste do Arizona, nos Estados Unidos. Algumas teorias asseguram que os extraterrestres vêm interagindo com os habitantes da Terra no decorrer dos séculos, e que mudaram o curso da história humana."

Para os apaixonados por uma boa Teoria da Conspiração, esse documentário do The History Channel   é um banquete de histórias, mistérios  inquietantes sobre as criaturas viventes neste e em possíveis outros planetas.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Eterno Orfeu

A história do ator que protagonizou o único filme brasileiro a ganhar um Oscar e que ganhou o coração da mãe do presidente dos Estados Unidos.



A história de vida de Breno Mello tomou um rumo diferente dos sonhos de menino aspirados na cidade de Porto Alegre. Ainda pequeno, seu principal hobby era correr atrás de uma bola de futebol.  Brincadeira que virou coisa série quando se tornou jogador profissional pelo clube Renner. Com o time de Porto Alegre conseguiu a proeza de ser campeão gaúcho de 54, rompendo a sequência de "Gre-Nais", tornando-se ídolo do anos 50. Após a vitória, foi contratado pelo time do Fluminense, época em que conheceu Pelé.

Foi na cidade carioca, em 1958, que Breno teve seus planos mudados.Um dia passeando na praia foi abordado pelo cineastas francês Marcel Camus, que procurava atores para a adaptação que fez da peça de Vinicius de Moraes "Orfeu da Conceição". A empolgação do diretor com Breno fez com que na época o ator/jogador suspeitasse das intenções do francês, conforme relatou em entrevista ao jornalista Luiz Nassin." Pensei que ele fosse gay", confessa Melo.

O diretor não era gay. E dias depois Breno seria selecionado para encarnar o Orfeu Negro de Camus. Apesar das intensas críticas no país, o filme fez grande sucesso no exterior. Sendo o único filme brasileiro a ganhar um Oscar: o de melhor filme estrangeiro. O longa também acabou faturando a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

O filme é curioso não somente pela história inspirada na clássico grego de Orfeu, mas também pela escalação do elenco. Além de Breno como esportista, a personagem Morte foi interpretada por Adhemar Ferreira de Lima primeiro atleta brasileiro a ser bicampeão nas Olimpíadas.

Com Orfeu Brenno ganha o mundo. Ao contracenar no longa com a atriz americana Marpessa Dawn será sempre lembrado como um Galã ou mesmo um Deus de Ébano. A beleza de Breno está associada a uma curiosa história envolvendo o atual presidente dos EUA, Barack Obama. Segundo relatos do próprio presidente, foi por causa do personagem de Breno que sua mãe, de aparência nórdica, teria se encantado por seu pai, que se assemelhava ao ator brasileiro.

Com sucesso de Orfeu fora do país, Breno continuo investindo em sua carreira como ator. Irá participar de filmes como Os Vencidos, Rata de Puerto, O Santo Módico, O Negrinho do Pastoreio e o último, em 88, Prisioneiro do Rio.

Após isso, afastou-se das telinhas sem ganhar o reconhecimento e respeito que gostaria no seu país. Em 2004, aceita participar de um documentário para TV À la recherche d'Orfeu Negro que destaca a importância do filme Orfeu Negro  para a divulgação da música brasileira no mundo, em especial para a bossa nova.

Breno irá falecer, em sua cidade natal  Porto Alegre, aos 78 anos, após um enfarte.


















segunda-feira, 2 de abril de 2012

O retorno do caso Jorgina de Freitas

Hoje, a Polícia Federal divulgou a prisão de Raimundo Linhares de Araújo, de 82 anos. Ele era o último acusado de integrar a quadrilha de Jorgina de Freitas, responsável  por um dos maiores roubos cometidos ao INSS na década de 90. Linhares, que foi preso na quinta-feira, foi encaminhado ao Presídio Ary Franco, onde deve cumprir a pena de 11 anos ao qual já havia sido condenado.

O caso Jorgina deixou um país indignado. Por isso, o Lugar de Memória lembra quem foi e o que aconteceu à advogada e procuradora da previdência.

No ano de 1992, Jorgina Maria de Freitas Fernandes era uma advogada e procuradora da previdência. Não havia nada que a associa-se à peculato, fraudes e roubos crimes pelos quais ela seria condenada a pagar 14 anos de sua vida na prisão.

O caso Jorgina chegou à imprensa após uma denúncia envolvendo o Ministro da Previdência do presidente Fernando Color, Antônio Rogério Magri. A partir daí, uma série de investigações começaram ser feitas e descobriu-se que Jorgina era a responsável por comandar um esquema fraudulento que envolvia diversas autoridades, advogados, procuradores do INSS e juízes no Rio de Janeiro. Na época, a quadrilha roubou 310 milhões de reais, valor que alcançaria quase 50 % das contribuições arrecadadas pelo fundo na época. Do total desse valor,  somente 82 milhões seriam reavidos.

Antes de ser condenada pela justiça, Jorgina já havia fugido para Miami, nos Estados Unidos, onde viveu por mais de dois anos. De lá, em 1994, ela partiu com os dois filhos para Costa Rica. Nesse mesmo ano, uma mulher que se dizia faxineira da advogada  revelou,  à embaixada brasileira em Miami,  três contas que a ex-patroa mantinha.Ao que tudo indica, a suposta faxineira teria agido por vingança pelo não recebimento de quantias de dinheiro. Investigações da polícia levam a crer que a mulher fazia parte do esquema de roubo do INSS.

Em 1995, Jorgina deixa São José par viver no norte da Costa Rica, próximo à fronteira com a Nicaragua. A polícia acaba perdendo o rastro da fugitiva. Somente um ano depois, a polícia recebe novas informações de que Jorgina estaria fazendo um passeio pela Europa e retornaria para Costa Rica.

Em 97, a polícia decide grampear os telefones da família da advogada no Rio. Além de prender o irmão dela condenado por peculato. Nesse mesmo ano, no dia 15 de outubro, a PF intercepta uma ligação entre uma das irmãs de Jorgina, Ana Nery, e um costarriquenho. O homem falava em nome de "Gutierrez" e pedia informações sobre a prisão de Francisco. Pelos telefonemas seguintes, os policiais souberam que Gutierrez era apenas um codinome de Jorgina. Também descobriram que ela preparava uma entrevista ao repórter Roberto Cabrini, da Rede Globo, que foi ao ar no dia 31 de outubro. 

Duas semana depois da interceptação, Jorgina decide se entregar à justiça da Costa Rica e é levada para a o presído El Bueno Pastor. Local que permanecerá até a extradição.  A partir dai Jorgina é encaminhada, sob regime fechado para Intituto Penal Talavera Bruce, onde coordenará o Concurso 'Miss Presidiária". Após 14 anos presa, ela é solta no dia 12 de junho de 2010. 

domingo, 1 de abril de 2012

Ordos: uma moderna cidade fantasma na China


É difícil imaginar que em um país populoso como a China, com cerca de 1,3 bilhões de habitantes, haja lugares vazios ou mesmo abandonados. Mas o distrito de Ordos, Kangbashi,  é mais uma prova da contradição de um país marcado pelas disparidades.

Conhecida como a " Cidade Vazia", o moderníssimo Distrito de Ordos era uma cidade pobre no interior da Mongólia. Em 2004, a descoberta de grandes reservas de carvão e gás natural na região levou o governo chinês a investir 161 bilhões de dólares na  construção do distrito que deveria abrigar mais de 1 milhão de chineses. O plano não se consolidou. Hoje, vivem na região em torno de 30 mil chineses. Todos funcionários públicos.

O motivo do fracasso está nos altos preços do metro quadrado, além do receio de que a região não venha a se tornar uma area atrativa para o comércio e outros serviços, mesmo com a intensa campanha pró-Ordos feita pelo governo.

A mais recente tentativa de deslocamento da população para o  local foi o envio dos melhores professores.“Mas o pais não vêm. Eles apenas enviaram os seus filhos para morar aqui”, conta Qing Liming, uma professora de inglês recém-contratada. Qing já fez seu próprio negócio na região. “Pago aluguel de 50 mil iuanes (R$ 14 mil) por ano ao dono da minha casa, mas cobro 1,7 mil iuanes (R$ 500) por mês de cada uma das 23 crianças que tenho aqui”. Qing tem um lucro de quase 400 mil iuanes (R$ 115 mil) por ano utilizando sua casa vazia como alojamento. 

Com cinco anos para ser construído, o distrito de Ordo apresenta ruas largas, belos prédios, casas confortáveis, centros comerciais, praças amplas e até um Museu de Arte em formato futurista. No entanto, pelo fato da população ser muito pequena, não possui serviços como de internet banda larga, hospitais.

Em reportagem publicada no site da Band, o  jornalista Jordan Pouille escreve que o distrito, apesar de ultra-moderno, ainda conserva as marcas de um governo repressor. O edifício do jornal local e a agência de propaganda ficam em frente à sede do governo, junto com algumas estátuas do guerreiro mongol Genghis Khan.













quinta-feira, 29 de março de 2012

Velha história


O quebra-quebra entre os militares e manifestantes durante a comemoração do Golpe Militar de 64 é a prova de um fantasma que não está enterrado: a de que o povo não se vê como um quando o assunto é as forças armadas. Talvez, para alguns essa afirmativa seria um tanto extrema, mas enquanto o Brasil não julgar aqueles que foram os responsáveis pelas maiores atrocidades acometidas a nossa nação, ao longo desses 512 anos, a contestação será inevitável. Por vários motivos.

A começar pela comemoração do Golpe. É uma mostra de como o embrião que levou os militares a acreditarem que uma ditadura deveria se sobrepor à democracia, à vontade do povo permanece vivo graças a um política de rabo preso que não subjuga os culpados às penas de seus crimes. 

Nossa ineficácia na punição é tão grande a ponto de a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) abrir uma investigação do porquê de o Brasil não investigar e punir os responsáveis pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog. Crime ocorrido há 37 anos. 
São 5 décadas que fechamos os nossos olhos às mortes de adolescentes, às torturas a homens e mulheres, ao massacre que findou a vida de 68 jovens e camponeses nas terras de Araguaia.

Obviamente, é um erro acusar às Forças Armadas como um todo por essa injustiça. A acusação  que se faz é contra quem insiste em fazer da data de horror, uma data de conquista. Isto não inclui só o que esperamos ser uma minoria militar e política, mas também contra cidadãos que negligenciam seu deveres mínimos: fazer com que a memória desse passado permaneça pulsando.


Abaixo, link da reportagem do Jornal O Globo sobre a notificação da OEA ao Brasil sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog


quarta-feira, 28 de março de 2012

Foto registra viajante do tempo

Passeando pela internet, achei uma foto que vem causando há um tempo polêmica ainda sem uma resposta definitiva. 
O registro, de 1940, da reabertura da Ponte de South Fork, apresenta uma estranha figura. Um homem de óculos escuros, roupa despojada, segurando uma câmera fotográfica portátil não se encaixaria com o vestuário e os objetos da época. 
Logo que foi exposta, na seção online do Museu Bralorne Pioneer de British Columbia, em 2004, a imagem causou discussão entre os peritos de imagens. Após exames por setores de análises de imagens, como a Error Level Anylisis, ficou estabelecido que a foto era sim original, sem qualquer tipo de alteração.

Fica então a pergunta: seria esse homem um viajante do tempo?