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quarta-feira, 7 de março de 2012

Por dentro dos bastidores: caso Hotel das Paineiras



Como estudante de jornalismo, e, desde já, considerando-me parte dessa árdua profissão, sempre me questionei a respeito das dificuldades, dos desafios que o profissional da área encontrou na sua jornada para a elaboração das palavras que lemos. O que proponho como uma aventureira e blogueira novata é dividir com vocês meu roteiro de viagem.

A reportagem sobre o Hotel das Paineiras nasceu de um trabalho realizado para a aula de TV da faculdade no ano passado. Foi a primeira vez que realmente entrei em contato com esse magnífico hotel escondido no meio do Parque Nacional da Tijuca de onde tive a oportunidade de ver uma das melhores vistas da zona sul da cidade do Rio de Janeiro.
Apesar de ter sido uma matéria televisiva resolvi fazer um texto como primeira postagem do blog, porque acredito que foi no meio dos entulhos e da floresta, que tomava conta da construção, que entrei em contato com essa prática conhecida como Urbex. Fiquei encantada. Na época, era a responsável por fazer as filmagens que podem ser conferidas no vídeo que fizemos (abaixo).
A cada nova dificuldade que encontrava para filmar aumentava a minha curiosidade por tentar registrar os segredos escondidos há mais de um século sob as ruínas do que já foi considerado um dos hotéis mais luxuosos do país.
Percorremos em um dia toda a área: varandas, dignas de bons escorregões, subsolo onde antes funcionava cozinha e que ainda guarda uma ostentosa lareira, banheiros inundados, a piscina que mais parece um brejo, além do interior que demonstrava perigos a cada passo que dávamos adiante.
A verdade é que terminei as filmagens com alguns arranhões, com a roupa coberta de poeira e pó de gesso, além de ficar sem um pedaço do meu sapato.
Mas as recompensas vinham em cada nova descoberta que fazíamos. A maior de todas: a bela paisagem apreciada da cobertura do hotel. De um lado o Cristo, já do outro a cidade. No meio, nós e a bela floresta. Realmente incrível!
Portanto, viajantes, o Hotel permanece como um ótimo lugar para aqueles que querem apreciar a memória do Rio de uma forma menos óbvia.


terça-feira, 6 de março de 2012

De portas fechadas, Hotel das Paineiras resiste ao abandono



                                                                      Foto: Maria de Gala

Situado no centro da floresta da Tijuca, com uma das melhores vistas da cidade do Rio de Janeiro, o Hotel das Paineiras, antigo recinto da alta sociedade, é, há 27 anos, a representação do abandono para turistas e curiosos que visitam o local à procura do glamour vivido no século passado.
Inaugurado, em nove de outubro 1884, pelo imperador Dom Pedro II, o hotel construído pela empresa Light tinha a pretensão de ser reduto da alta sociedade brasileira que se consolidava na transição da monarquia para a república. Durante muito tempo manteve o status de cinco estrelas e de principal concorrente do luxuoso Copacabana Palace. Sendo recinto para famosos hóspedes como a atriz francesa Sarah Bernhard; os ex-presidentes Washington Luís, Café Filho e Getúlio Vargas; além a tricampeã seleção brasileira de 70.  
Mas, dos áureos tempos, quase nada resta. Poucos são aqueles que se arriscam a andar pelas varandas esburacadas e pelos pátios cobertos de limo, áreas nas quais são autorizadas às visitações.
Na parte interna, o tempo não foi mais piedoso. Logo no hall de entrada restos de móveis e entulhos dificultam a passagem.  O teto que abrigava lustres e detalhes arquitetônicos, hoje, apresenta perigo com pedaços de rebocos que caem de forma inesperada. Das luxuosas escadas, que dão acesso ao segundo e terceiro andar, pouco resta dos dourados corrimões e dos tapetes vermelhos além do tom desbotado pelo mofo e pela poeira acumulada em quase três décadas.
 A situação é ainda mais precária nos 36 apartamentos, 10 deles conjugados de 2 quartos, que constituem os andares superiores. No lugar de hóspedes, aranhas, porcos-espinhos e cobras habitam no lixo acumulado que cobre quartos e corredores.
            De acordo com o historiador da PUC-Rio Antônio Edmilson, a decadência do Hotel das Paineiras pode ser explicada pela escalada da violência na região e pela crise econômica pela qual o país passava na década de 70 que acabaram afastando os hóspedes da região.
 A decadência se dá pelo aumento da violência, pela ocupação das áreas altas por favelas. Esses motivos resultaram na perda dos atrativos da região. Em substituição, o público acabou atraído por hospedagens de requintes da Região Serrana – explica o professor.
Com o fim da concessão da empresa Light, em 70, o hotel voltou para a União que não via como investir no local. Em 1984, a Universidade Veiga de Almeida chegou a arrendar o imóvel sendo responsável por algumas reformas na estrutura, mas o custo da manutenção era elevado. Mais uma vez, o hotel tinha o fim traçado ao esquecimento.
Desde então o hotel permanece fechado. As visitações são restritas às áreas externas. Mas com a proximidade da Copa do mundo de 2014, o hotel tem a chance de reabrir suas portas. No final do ano passado, o governo federal abriu processo de licitação para as empresas que desejarem investir no local. Os interessados deverão desembolsar a quantia mínima de 40 milhões de reais.  Investimento que é ansiosamente aguardado pelos admiradores.